TEORIA AMOROSA DA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA

Postado por Bruna Martins , sexta-feira, 30 de abril de 2010 21:23


Eu sinto e gosto.
Gosto do meu cabelo,cachos em desgrenha batendo nas costas.
E daí?É bom,é simples.
Andar de bicicleta,romantilóide.
Sentir-me mulherzinha idealizada em pleno século XXI

A moda pede pra cortar,alisar o cabelo
(manga chupada,espelhos clonados,gêmeos de salão de beleza)
E o meu sentimento?
E,afetuosamente me respondem:
"Foda-se o seu sentimento queridinha!"
E o vento nos cachos?E o sentir,
E o gostar dos meu momentos?

Eu sinto e gosto.
Mas falo baixo.
Não revelo.
Sinto sozinha.
pois gostar de sí é proibido!
"Egóico,Narciso morreu afogado!"
Pregam o amor em livros,filosofias,putarias a cabo,
Cântico dos Cânticos...

...Mas,se revelo amar-me,sentir-me,ventar-me...Julgam-me!

Eu sinto e gosto(vou tentando ao menos)
Gostto de tudo tanto e do nada mais ainda
É por isso que sou louca à visão alheia
Sou rica para os teóricos gamadinhos e apaixonados
que prezam minhas características:
Seria demagogia?

Mas eu sou louca e meramente louca,pois na prática o amor
da gente tem sido implícito,rápido,
No affair sem afeto nosso de cada dia.

Eu sinto (?) e gosto (?)
E já começo a desgostar.
No desgaste de amar e não poder,não esplanar.
No empate de querer e não se dar ,se fechar
Na loucura de aprender com os próprios teóricos do amor desmedido...
...e ter que desaprender!
Ou aprender o amorzinho comedido...Ou aprender a mar modernamente:
Robôs no cio:
"-Cio contido, senão fica piegas hem?"
Programados pra amar e fingir que ama.
Programados pra mara superficialmente.
Pra sentir Tesão pelo mundo,por tudo,por nada e não gemer,não gritar!

...Por isso eu falo baixo.
Bem baixinho.
choro
calo
en-
gu-
lo.
E vou dormir com dor-de-cabeça.

Eu sinto e gosto.
Vou gostando bem quietinha,mesmo depois de acordar.
Porém,vou gostando com com um certo desgosto
desse pseudo-amores,joguinhos com o sentir alheio.
Amores sintetizados em laboratório.
"-Tem gente na fila,cê pode amar mais rápido aí??"

Macarrão-Instantâneo
Rapidinha Litoranêa
Necessárias coisas pelo menos para dizer que somos normais e sociáveis.
Pois o amor desmedido,o propriamente dito,o na infância aprendido,
não deve ser utilizado!Demora muito!É despendioso!

Pele hansenítica,não sintam,não sintam os ventos!
Amar não é hype.
Cortem,tosem os cabelos!
Aí sim haverá o oba-oba massificado,
tortamente hedonista e sem futuro tão desejado!
Amar virou quantidade.Álbum.Carpe Diam extremo e torto.
Fila.

Amar virou ausência no dia seguinte.
Ausência dos ventos na alma, na pele;
Dos ventos e sorrisos sem razão;
Ausências das bicicletas vespertinas;
Dos beijos noturnos,com planos de futuro.
Ausência de respeito e de amor.
Ausência das ausências.
Afinal,agora o amor é só teoria,
e assunto de poesia.


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UMA DE MINHAS MUITAS INFLUÊNCIAS DE VIDA E PENSAMENTO...

"Ame e dê vexame aborda as dificuldades de uma vida amorosa numa sociedade voltada para o que está em oposição aos sentimentos. São textos que, ao relatar experiências pessoais, encerram lições valiosas para quem precisa assumir a precariedade de uma existência que não descarte o amor. Eles funcionam como um roteiro leve e bem humorado em favor da gratificação permanente, apesar das advertências de uma sociedade baseada na exploração e no consumo. Na série de textos sobre assunto tão candente, o autor explica as vantagens de mergulhar profundamente naquilo que pode causar escândalo em determinado momento, mas que revela-se, com o tempo, corno a única grande motivação de se continuar vivo."

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